Sunday, March 19, 2006

Homem moderno

Essa primeira parte do texto não é minha (em itálico), é de Rubem Fonseca. O restante do texto é meu. é uma promoção do site Terra - completar um texto...achei legal postar...
Eu ainda estou na cama e isto tudo foi a memória funcionando. Ou será que não foi? Eu sou hoje um homem tão cheio de dúvidas. Não sei mesmo se fechei as portas e com isso não consigo dormir, chego até a sentir um peso no meu coração. Eu preciso dormir. Vejamos: na porta da varanda, ao checar o trinco eu fiz ploc-ploc com a língua contra os lábios. Na porta da frente, aquela perto do sofá vermelho com manchas de café, eu lembro de ter fechado, virei a chave duas vezes. Acho que as fechaduras deveriam dar a possibilidade de rodarmos a chave até três vezes, duas é pouco. Sinceramente não tenho a certeza se virei a chave duas vezes, posso ter virado apenas uma vez. O gás eu desliguei, mas será que o vizinho de cima desligou? Afinal, se ele não desligou, não adianta eu me preocupar com isso sozinho. Será que todos os vizinhos desligaram? Escuto algo vindo do banheiro, parece água caindo. Água batendo na pia! Pingos incontroláveis desejando ardentemente encontrar-se com o ralo. Acho que não fechei direito a torneira. Mas já quebrei duas torneiras tentando fechá-las de maneira drástica. Ok, vou tentar dormir assim mesmo. Estou ficando neurótico com tantas dúvidas. De repente são apenas coisas da minha cabeça. Minha mente anda muito agitada criando situações baseadas em fatos reais, misturando incertezas em medos bizarros. Vou dormir. Antes, vou orar."Senhor, que a torneira esteja fechada e não cause um alagamento no meu banheiro e que a conta de água não tenha o seu valor aumentado por causa da minha falta de atenção. Feche as portas de casa, principalmente aquela perto do sofá. A da varanda também é importante. Posso sonhar que estou me jogando do 15º andar. Como sou sonâmbulo, a possibilidade de conseguir abrir a porta sem ela estar trancada é maior. Isso pode ser perigoso. Que todos os vizinhos tenham desligado o gás. Amém." Finalmente, estou mais tranquilo.
7:15 da manhã. Acordo assustado. Esqueci mais uma vez de ligar o despertador. Se tivesse ligado, acordaria as 7:13hs que é o horário exato para não me atrasar. Sigo em direção ao banheiro e ao dar o primeiro passo , naquele azulejo frio, vejo a torneira. Ufa! Ela realmente está fechada adequadamente, nada de pingos dispersos envolvendo a cavidade da pia. Após o banho, me visto e tomo o café. Saio para o trabalho já com o coração batendo forte, atrasarei em função dos dois minutos a mais que dormi. Fecho a porta. Rodo a chaves duas vezes completíssimas. Pego o elevador. Abro a porta e checo se "o mesmo encontra-se parado neste andar". Sinto-me em um reality show ao entrar no elevador, as câmeras estão ali prontas para flagrarem qualquer ação minha. Meus movimentos são cuidadosos, sou um homem de negócios e não posso me comprometer, não posso tomar nenhuma atitude comprometedora dentro do elevador. Chego no estacionamento e avisto meu carro. Abro a porta, ligo o carro, coloco meu CD de Salsa e sigo em frente. Primeiro farol: primeira dúvida! "Eu desliguei a cafeteira?!". Não posso voltar, estou atrasado. Não acredito! Esta dúvida atormentará o meu dia. Como irei fazer minhas planinhas e gráficos no Excel, com esta incansável dúvida? Como apresentarei o workshop pensando se realmente desliguei a cafeteira? Como explicar para meu chefe a minha impaciência durante o dia? Nada resta a fazer nesse momento, o tempo passa, e continuo a dirigir. Passarei o dia tentando lidar com isso. Terei que disfarçar, isso pode colocar em risco o meu trabalho.
Entro no trabalho atrasado, ás 8:02. Odeio quando isso acontece. O dia passa, as planilhas não saem lá tão boas e nem mesmo o workshop. Há 75% de chances de eu não ter desligado a cafeteira. Posso ter criado um incêndio no prédio. Meus vizinhos podem estar aflitos ligando para os bombeiros. Finalmente! 18hs no relógio! Espero até as 18:02 para completar o horário exato da jornada de trabalho. Abro a porta do carro, o ligo, coloco meu CD de Salsa e sigo em frente. Primeiro farol: primeira dúvida! "Será que eu desliguei meu computador?". Lembro de ter deixado um copo d´água perto do computador. E se a água cair e molhar os fios? Posso ser o responsável por causar um incêndio na empresa. Agora não posso mais voltar, preciso ver se desliguei a cafeteira.
Estou ficando neurótico, eu sei. Essa vida corrida cheio de detalhes me transforma em um louco obsessivo cumpulsivo. Testo e checo tudo. Mas continuo com dúvidas. As incertezas me acompanham durante os dias. Dizem que o homem moderno é inseguro e cheios de dúvidas. Pode ser. Mas não é a minha culpa. A culpa é da cafeteira. Pode ter certeza.

Friday, March 17, 2006

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo..."

Anormal.
Não bebo refrigerante. Não fumo.Odeio cerveja. Viciada em chá gelado (com bastante limão).Engasgo constantemente. Mastigo chicletes de canela compulsivamente. Consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo: aqui e no fantástico mundo da minha imaginação. Amo suco. Sem coordenação motora adequada para andar de bicicleta. Já perdi o celular, esqueci de fechar o zíper da bolsa. Testo o achados e perdidos da faculdade mais desorganizada que existe...e incrível...o achados e perdidos realmente funciona! A minha socialização com seres-humanos dá-se com o tempo, não force a barra. Me socializo mais rápido com cachorros, aliás, amo cachorro. Gosto de quem gosta de mim,não odeio quem não gosta, quem não gosta deve ter seus motivos...ah sei lá...as pessoas arranjam motivos pra tudo. No fundo eu sou legal.Bem no fundo.Dou risada até da piada do Mário..."conhece o Mário?Que Mário?" enfim...Pulo muito, mas tô ficando meio velha. Cansa pular. Meu cabelo é mutante. A TPM é forte, ataques de sinceridade são constantes, mas fora dessa época sou calma. Introvertida- essa é a causa dos meus pensamentos subjetivos. Perdida. E não importa que eu faça o mesmo caminho todo santo dia, vou continuar perdida. Traumas de infância. Já levei uma tesoura de desossar frango no colégio (aliás, colégio de freira), mas tudo deve-se ao fato de eu ser distraída e ter visto a tesoura como apenas uma boa e velha tesoura. Calma, nunca matei nenhuma freira (apesar de uma sútil vontade...hihihi). Deus, família e amigos dou valor. Arroz, feijão e farofa com limão em cima é muito bom. Quebrar o braço com uma scooter, batendo de frente numa parede, não é muito bom. Meus ataques de esquizofrênia são sazonais. Berros do nada. Quieta e observadora. Viajante. Adoro a frase clichê de pára-choque de caminhão: "Quem planta o bem, colhe o bem".
Feliz e anormal - that´s me !