Tuesday, May 30, 2006

2ª marcha...

"O Calhambeque, bi-bi, quero buzinar o Calhambeque"
O Calhambeque-Roberto Carlos


Hoje resolvi escrever sobre algo que faz parte da minha vida. Faz parte da minha história, da minha trajetória(literalmente). Algo que me toca profundamente. Um item da minha maravilhosa rotina - o trânsito!

Todo dia é a mesma coisa. Sempre tenho esperança : "hoje não vou pegar trânsito". E pego. Odeio as benditas placas avisando sobre as obras na ponte cidade jardim. Não é possível, essa ponte nunca fica pronta? Será que eles vão construir um shopping em cima da ponte? Será que a ponte vai ser robotizada tornando-se um atrativo turístico para a cidade? Será que a ponte vai virar uma obra de arte, uma escultura com a cara do prefeito estampada? Outro aviso que me irrita, é o de "obras na marginal". Sempre obras. Nunca acaba. Ou os pedreiros são muito lerdos, fazem 3hs de almoço e mais 2hs de café da tarde, ou alguém está nos enrolando. Fico com ódio do trânsito. Ódio irracional. Ódio animal. Ódio.

Eu era calma. As únicas pessoas calmas são aquelas que não pegam trânsito. Eis minha tese. E quando não tem trânsito, sempre tem alguma coisa que atrapalha o caminho. Uma vez fiquei parada por causa de uma charrete. Sim, isso mesmo, em São Paulo, charrete e cavalo andando a 20km/h. E claro, justamente no dia onde não existia a possibilidade de chegar atrasada. E as pessoas que atravessam do nada? Seres vivos que brotam da terra e tentam incansavelmente passar pelas linhas da pista. Castelo Branco, marginal, essas pistas sem muito movimento e com faróis e faixas para pedestres.Hãhã. Fico pensando da onde vieram e pra onde irão essas pessoas. Seres humanos nômades, ciganos das estradas.

Há coisas interessantes. Depois de um certo tempo, a gente acaba desenvolvendo técnicas de sobrevivência no trânsito. Meu carro, por ex., sofre de pressão alta. Quando olho o ponteiro da temperatura subindo, já começo a me desesperar. Por isso, graças aos conselhos sábios de papai, sempre ligo o ar-condicionado. Esse processo inibe o aquecimento do carro. Conclusão - meu carro nunca mais esquentou, em compensação, hoje eu passo um frio do cão e minha tosse aumentou em pelo menos 70%. Outra técnica, essa desenvolvida por mim, foi a do ponto morto. Não sei porque, meu automóvel morre toda vez que fico muito tempo com o pé na embreagem. Minha solução: andar mais em ponto morto do que com a marcha engatada. O famoso " vai na banguela". Mas não faça isso. É extremante perigoso, as rodas podem travar. Bom, mas pelo menos seu carro não morre.

Me sinto dentro de uma bolha no meu carro. Bolhas com objetivos. Bolhas que tentam desviar de outras bolhas. Não ando com o vidro aberto. Cheiro de escapamento de Kombi e barulho de motor, não são as coisas mais agradáveis, definitivamente. Tem seu lado positivo andar na bolha. Refletir sobre a vida. Se pegar 1h de trânsito então, como eu, você faz até terapia com você mesma. Teve um tempo que eu decidi não me estressar. Olhava o Rio Pinheiros, olhava as árvores, as pessos dos carros ao lado tirando nhaca do nariz, as mulheres se arrumando no retrovisor (esse é o motivo de muitas freadas bruscas), os CET´s com seus bloquinhos. Deu certo. De tanto olhar, vi duas capivaras na margem do rio, comendo grama. Foi lindo. Até fiz meu trabalho de semi ótica sobre isso. Pena que minha professora não curtiu muito. As pessoas não conseguem entender a emoção que é ver uma capivara. O contraste da natureza com a cidade grande. Da poluição, do concreto, do artificial, com o natural. Ah, mas depois de 2 dias lá estava eu. Tinha voltado ao normal. Já estava até xingando as capivaras...

Trânsito é péssimo. Fazer o que né. O jeito é se acostumar. Há outros jeitos pra se distrair. Faça amizades no congestionamento. Tá aí, o trânsito poderia ser um ótimo meio de relacionamento. Até melhor que orkut. Já pensou que legal seria conhecer histórias de caminhoneiros e fazer amigos no trânsito, fazer networking... Sou a favor da socialização dos motoristas no trânsito. Então vamos lá. Abra seu vidro. Converse com o motorista da bolha ao lado. Vamos ser felizes no trânsito.


Saturday, May 20, 2006

É verdade?!

"O povo fala, o povo fala mesmo
O povo fala, e o povo fala mesmo..."
Trecho da música : "Vox Populi", Ana Carolina.
Verdade, mentira, balela, fuxiquinho, conversinha, rumor, boato. E o povo fala, e o povo acredita! Como não acreditar? Afinal, quem não gosta de saber daquilo lá, sabe? Não?! Aquilo que contaram ontem, o cara contou, amigo do outro que contou pra ele...ihhh...por aí vai.

A semana passada foi a semana estadual do boato. Confesso, também espalhei uns boatinhos por aí. O medo faz isso com a gente. Fiquei um pouco assustada com esse negócio todo de atentado. Nunca escutei tanto "explodiram aqui", "explodiram ali". Se todos os boatos fossem verdadeiros, jamais voltaria para minha faculdade, porque na teoria ela explodiu. O fato é, ninguém tem controle sobre isso. O medo não deixa a gente esperar pra saber se "aquilo lá" é verdade. Espalhamos mesmo, pra tentar se proteger. Marcola adorou tudo isso.
Li (não lembro onde. Cuidado, isso pode ser um boato) um jornalista falando sobre "suposto". Ele disse que nunca leu e ouviu tanto essa palavra nesses últimos dias. Os jornalistas usaram muito isso. "Suposto ataque", "suposta morte", "suposta explosão". O suposto é o fato incerto. Suposto jornalismo.
Boato do medo ainda tem suas justificativas ( o próprio medo é a justificativa), mas os outros tipos de boatos: inveja, fama, puxar o tapete, por favor né. Esse mundo tá cheio de palavras contextualizadas que sabe lá Deus, se são verdadeiras. Fala para se dar bem, espalha pra ver o outro se dar mal, inventa pra ver se fica mais rico, ilude pra sair na mídia, ou melhor, a mídia ilude pra gente acreditar.
O homem foi à Lua? Bin Laden é realmente o Bin Laden? A Nike escraviza criancinhas? O hambúrguer do Mcdonald´s é feito de minhoca, e a batata é montada em laboratório? Foram mesmo os portugueses que descobriram o Brasil? Hitler era gay? Código da Vinci é uma viagem? Judas foi o apóstolo preferido de Cristo? Pronto. Teoria da Conspiração começou. Sociedade do espetáculo.
O que é verdade?! A gente se perde nisso tudo. Cuidado com o que você ouve e fala. Seja seletivo. Não vá acreditando em tudo por aí.
Já nem sei mais se o meu nome é Veronica...