Wednesday, June 20, 2007

Comentários impertinentes

Se existe uma coisa que me irrita profundamente são comentários impertinentes. Sabe aquele famoso "você engordou, né?". Não, eu sou uma boneca inflável, aumento conforme a quantidade de gases que existem dentro de mim. Pois é, quando você parte pra ignorância depois de ouvir palavras tão doces e agradáveis aos ouvidos, é visto como estúpido, mal-amado e por aí vai.

A última foi: "nossa...seu cabelo tá ralinho...tá ficando igual da sua mãe". Descendência européia, fazer o quê né...Vovó nasceu na Polônia e Vovô na Romênia. Desculpa se seu cabelo precisa passar chapa pra alisar. Esses dias presenciei outro. Chega uma mulher que o marido está no hospital. E rola um comentário do tipo: "Você já conversou com Fulano? Ele passou pelo mesmo problema. Só que a esposa, que estava no hospital, não resistiu." Que força hein. Tem também o : "Nossa, sempre achei que você fosse gay. Não acredito que é Hetero." Ou seja, é nítida a percepção afeminada que o locutor teve do seu objeto de contestação. "Veio com a blusa da vovó?", ouvi essa uma vez. Tudo bem que minha blusa parecia bem de vó mesmo. É moda. E não é assim que fala. Quando a roupa tem aparência antiga se diz: retrô. Ai, povo ignorante viu.

Quando criança, era algo como: "cortou o cabelo? Nossa, tá parecendo o Chitão." Poxa, eu não tinha culpa que meus pais adoravam chitãozinho e Chororó e, consequentemente, eu sofria em função do fanatismo deles. Que trauma. "Pode sentar aqui, você tá grávida." Uma ex-colega de trabalho ouviu essa. Detalhe: ela não estava grávida. Os "pneuzinhos" formados por gordurinhas provenientes de muita coxinha com caldo de cana, foram traduzidos como sendo um feto em desenvolvimento.

O pior é que ás vezes os benditos comentários causam neuroses insuportáveis. "Será que meu cabelo tá ralo? Tô gorda? Tenho cabelo de Chitão?". Malditos seres-humanos lançadores de comentários impertinentes.

Senso-comum. Depois do estímulo externo estúpido (comentário impertinente), sempre nasce aquele pensamento : "PQP. Podia dormir sem essa."

Sunday, June 03, 2007

Lá no fundo

Sente-se sem rumo
Com tudo
pro mundo
lá no fundo
sente-se sem freio
dentro do peito
do pensamento
lá no fundo
sente-se frio
vazio
a fio
lá no fundo
sente-se impertinente
inconsequente
demente
lá no fundo
sente-se vão
sem ação
lá no fundo
sente-se com o coração na mão...