Tuesday, October 23, 2007

Calçadões, pombas e microfones

Andar no centro de osasco é uma experiência de vida. Para quem não conhece a Antonio Agú, vulgo calçadão, é um lugar totalmente diversificado. Há tanto serviços de oculista, tratamentos dentários, lojas de sapato, móveis e por aí vai.Lá você pode encontrar pessoas de todos os jeitos. E também pode rolar um stress.

O que mais me irrita nesses tipos de lugares é a quantidade incalculável de pombas. Nenhum outro animal é mais irritante do que pombas. Nem se você encontrar um veado atravessando na sua frente pode ser tão irritante. Prefiro ver uma vaca na Antonio Agú, do que ter que cruzar com pombas. E as benditas são cruéis. Ontem tive que desviar de uma delas. Através de um vôo rasante, a dita cuja não se deu conta que lá estava uma garotinha vindo em sua direção. Naquele momento, com toda a minha rapidez, desviei instantaneamente. Senti-me o Neo do Matrix. Caso contrário, poderia ter tido minha cabeça decepada por uma pomba. Engana-se quem ainda acredita na inocência desse ser-vivo. Desculpe os defensores, ONGs de pombas, enfim. Sou totalmente a favor do extermínio geral desses animais. E não me venha com esse papo de que elas representam a paz. Esses serzinhos são uma afronta aos pedestres. Fora as cagadas artísticas que essas beldades fazem nos carros. Ah! E quem nunca levou uma cagada de pombo? É triste sair de casa todo arrumado, bem naqueles dias que você conseguiu uma entrevista de emprego na empresa dos seus sonhos, e puff! Ser alvo de uma evacuação aviária. Inclusive, tive um professor de Biologia que relatou um causo um tanto quanto trágico. Com olhos marejados, ele contou a história do aluno assassinado por uma cagada de pombo. Tá, ele exagerou um pouco. O mais estranho é que ninguém se importa. Percebi que a maioria das pessoas convivem muito bem com essa ave. Será o bichinho sagrado? Pombas no Brasil são como vacas na Índia.

Bom...mas deixa eu explicar como cheguei até o centro de Osasco. Minha mãe me deu a missão de descobrir uma bicama bem barata (BBB= bicama bem barata). Visitei 10 lojas de móveis. Conclusão: Casas Bahia. Eu andei por 2hs seguidas, quase fui assassinada por uma pomba, quase perdi meu sapato (melissas ás vezes desgrudam do pé), para descobrir que a loja mais barata é a Casas Bahia??!! Aff. O melhor de tudo foi ter escutado um pseudo-chaveco, de um dos caras do Taí (= alguma linha de crédito que até hoje não entendo bem do que se trata): "Você parece com aquela atriz. A Marjorie Estiano". Fique feliz. Antes me comparavam com a Giulia Gam. Acho que dei um upgrade.

Ah! E os microfones! Já reparou no marketing agressivo de lojas de calçadão? Os vendedores praticamente te amarram, te ameaçam para entrar na loja. "Se você não comprar as pipocas Magitlec, que estão na promoção, MORRE!". Um dia minha irmã foi surpreendida por um desses locutores. Eis a fala:
- "Promoção imperdível. Blusas por R$ 5,00!!!" E virando para a minha irmã disse: "Olha lá...aproveita! É igual a essa blusa que você está usando". Detalhe: a dela havia custado no mínimo R$ 30,00. Uhmm mas até que as blusinhas eram legais. Mas um pouco descartáveis. Também, pelo preço.

Experimente. Andar em calçadões é algo transcendental.

Monday, October 22, 2007

Gisele Bündchen do mundo animal



Designers de jóias britânicos criaram uma coleção de "roupas" e acessórios para cães bordados com diamantes e outras pedras preciosas para um desfile de alta-costura canina em Londres.
Ser fashion é tudo né genteee.

Sunday, October 21, 2007

Seja um morto


Tem certas coisas que me irritam profundamente. Fico inquieta. Com um pensamento eterno, infelizmente. Um pensamento frustrado. É a tal da superficialidade que me atormenta. Já tentei ser superficial. Ah, um monte de gente é. Minha consciência pesou. Tentei de novo. Pesou de novo. É como acionar o "mode on ser-humano". Aí, quando não quiser se envolver muito, é só apertar o "mode off ser-humano". Já procurei o botãozinho em todo lugar. Infelizmente, ou felizmente, não achei. E lá vou eu...com o mode on ligado pra sempre. Só que a bateria anda fraca. Talvez algumas doses de serotonina na veia possam resolver o problema. Na farmácia vende. Se não for possível a produção pelo corpo, compre.

Tudo vende. Silicone pro peito. Pra bunda. Os lábios de mel viraram lábios de botox. A produção em série de narizes empinadinhos é de cair o queixo. Aliás, se ele cair, chama o Pitangui.

Falta só a plástica na alma. Ah! Que bom seria consertar aquela desilusão com um pouquinho de botox. Aquele sonho perdido com uma raspagem no cérebro. Uma lipoaspiração na mágoa. E o silicone no coração partido. Mundinho da ilusão. Está todo mundo querendo morrer bem saradinho. Pelo menos no caixão o peitinho aparecerá empinado, o nariz arrebitado e aquele bumbum de Gretchen, que maravilha! Até a rainha do rebolado tem silicone na poupança.

George Orwell tinha razão. Cadê meu soma??? Rápido! Antes que eu seja afetado pelos acontecimentos imundos ao meu redor. Já disse que não quero ser tocada. O choro é para os fracos. Os fortes devem ser cegos. Sem lágrimas tristes, sem lágrimas alegres. Nenhuma demonstração de interesse. Assim quero ser. Sofrer é para os derrotados.

Mas continuo dando boas-vindas aos pequenos seres. Aprendam na escola a serem superficiais. Só assim vocês conseguirão sobreviver. Precisamos de gente para dar continuidade a cultura da bunda. Bela cultura. Grande e volumosa. E cheia de celulite e estrias que jamais se apagarão. É uma delícia viver em um mundo onde a busca da perfeição é nosso maior objetivo.

E a minha dica continua sendo essa: Seja perfeito. Não se envolva. Quanto mais morto, melhor.

Monday, October 15, 2007

Fechado. Não insista.


Lugares fechados são como planos interrompidos. Uma desilusão. Uma decepção. Um acaso. E, nessa hora, o que resta é inventar outra coisa. Tenho frequentado portões, portas, travas e correntes. Fechaduras que não se abrem e pessoas que não informam. Não sei o que está acontecendo. Será a crise da porta fechada?
Sábado eu e meu amigo fomos até a casa de pedra (escalada indoor). O lugar estava fechado. Sábado retrasado fui no culto. Até a igreja estava fechada! Sai pra lá maldição da trava! A primeira vez que retornei à empresa na qual trabalhava, quase não me deixaram entrar na recepção. Fecharam a porteira pra mim.
Os sites deveriam informar melhor os horários e telefones que as pessoas atendam. É uma frustração. Meu amigo disse para tentarmos a escalada no próximo sábado. Não sei. Fiquei com raiva do portão fechado.
Abram as portas. Destravem tudo. Deixem escancarado. Ô povo que tem medo de bandido. Ok. Continuarei procurando portas abertas. Ou pelo menos, algumas que eu consiga abrir.

Tuesday, October 09, 2007

Porque ninguém merece.



Recomenda-se sempre fazer um teste antes de aplicar o produto em todo o cabelo.

Confesso que fiquei com dó do Príncipe Charles.

dia da frase





Aberta a temporada de Frases do dia! Amigos, mandem suas frases.

Monday, October 08, 2007

Passageiro convidado

Gente, agora meu blog terá um convidado. O nome dele é Rafael Morais. Conheci esse ser vivo na Globosat, quando trabalhava lá. Ele atende como Champion, mas você pode chamá-lo do que quiser. Esse jovem rapaz é estranho, fala muito, ouve pouco e adora contar histórias. Seu humor varia entre um Chaves vendendo churros, até o Eddie Murphy, no tempo de Stand Up Comedy. Seja bem vindo meu querido amigo. É com você.

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Sobre ônibus e passageiros

Quando perguntei para a Vê se o blog poderia contar com textos de autores convidados não esperava que ela fosse aceitar. Digo, eu queria muito contribuir com esse espaço relatando à vocês os fatos curiosos que permeiam a minha existência (chique hein?!), mas só de pensar no fato de realmente TER que escrever sobre algo já me apavora de antemão. Não que eu seja um asno no trato com os vocábulos, longe disso, mas sempre tive dificuldades em lidar com obrigações. E como refugo eu acabo divagando sobre coisas sem sentido para não precisar realizar a tarefa que se avizinha. Viram só?! É justamente isso o que eu estou fazendo agora.

O único remédio para esse tipo de crise é colocar o pé na porta e enfrentar o desafio de uma vez. Para isso, pensei em escrever sobre um acontecimento incomum que vivenciei há alguns anos.

CUIDADO: O relato a seguir contém altos teores de violência, linguajar chulo e atitudes de má-fé. Retire as crianças da frente do monitor (mesmo porque, se o seu filho tiver um baita cabeção você não conseguirá enxergar merda nenhuma mesmo), abra uma lata de cerveja (das boas, nada de Nova Schin ou Krill) e relaxe.

Nota do Autor: O aviso anterior surgiu apenas para evitar problemas jurídico-legais que um relato dessa estirpe possa ocasionar à mantenedora do blog.

Voltando ao assunto. Era uma tarde quente de verão em São Paulo. Eu retornava da faculdade em direção ao merecido descanso que me aguardava nol ar doce lar (não sei porque, mas sempre que usam essa expressão me vem à mente a imagem de um sujeito lambendo a parede de um dos cômodos de sua casa. Coisas do cérebro). Peguei o ônibus na estação Clínicas do metrô e sentei em um dos bancos vagos.

O ônibus que eu costumava pegar na volta da universidade era o temível Apiacás, famoso por seus motoristas octogenários e cobradores (“trocadores” para quem mora no Rio) que são verdadeiros aspirantes a figurantes de humorísticos bem sucedidos como Dedé e o Comando Maluco e Escolinha do Professor Raimundo.

Lá pelo meio da viagem o Matusalé... digo, o motorista, tirou do bolso da camisa um cigarro e desandou a fumar enquanto guiava o coletivo. Esqueçam a transgressão que esse ato implica, esse era o menor dos meus problemas. O fato é que o fulano começou a se sentir como se conduzisse um carro de Fórmula 01: Ultrapassagens perigosas, aceleração constante e xingamentos em profusão desferidos contra os carros que o ultrapassavam.

Os passageiros foram tomados pelo pânico. Senhoras afoitas sacavam terços de bolsas compradas em liquidação e oravam pelas suas vidas. Garotos e garotas, em idade escolar, seguravam nos assentos como se estivessem à bordo de um avião em turbulência, parecia até que tinham decorado de cabo a rabo aqueles folhetos de situações de emergência que ignoramos dentro das aeronaves. Trabalhadores suavam frio como bois prestes a enfrentar a inevitável degola. O único que parecia se divertir muito com tudo aquilo era o cobrador. Impávido no alto de sua cretinice.

Antes de chegar ao ponto final, um desastre quase aconteceu. Ao atravessar um dos cruzamentos existentes no bairro de Perdizes, o motorista freou bruscamente para evitar a colisão com um Corsa. O que arremessou 95% dos passageiros para frente, dando sentido àquelas tediosas aulas de física que todos tivemos no segundo grau – o famoso movimento uniformemente variado deveria ser ensinado dentro de transportes públicos.

Ao final da viagem, os poucos sobreviventes, revoltados, resolveram tirar satisfação com o motorista. Eu, com toda a educação que mamãe me deu, resolvi fazer o certo e fui conversar com o fucnionário responsável pela linha, que se alojara dentro de uma cabine próxima ao ponto.

O motorista, vendo que só a minha atitude poderia lhe trazer algum tipo de risco, foi tomado por uma fúria assassina. E veio em minha direção como um gordo que adentra um restaurante do tipo “coma o que puder por R$ 1,99”.

Enquanto eu conversava com o funcionário, ele me dirigiu as seguintes palavras:

- Você não sabe de nada. Isso é tudo mentira!

Virei-me em sua direção e tentei ser polido:

- Calma, estou falando com ele, não com o senhor.

Ele insistiu:

- Mas eu estou falando contigo, seu moleque maconheiro.

Nota do Autor: A ciência moderna nos presenteou com inúmeras substâncias que permitem alterar o estado de consciência de um indivíduo. Mas parece que a única droga que as gerações passadas conhecem é a maconha. Ele está curtindo sensações alucinógenas em uma rave em São Conrado? Fumou MACONHA! Está dirigindo embiragado pela avenida Paulista às quatro da manhã? Fumou MACONHA! Transou sem camisinha e engravidou a menina mais feia da região? Fumou MACONHA!

Nessa hora eu ergui o dedo em direção ao seu rosto e balbuciei algo como “tome cuidado com o que diz”. Ele, vendo a rigidez do meu indicador em riste, desferiu unm tapa em minha mão gritando “Abaixe esse dedo, seu calhorda”.

Aí o bixo pegou.

Empurrei o velho com as duas mãos em seus peitos calejados (nojento) e armei a direita. Juro, eu iria matar aquele infeliz ali mesmo. Perdi o controle. Mas fui segurado pelo cobrador e por um dos passageiros que assistia ao confronto. O motorista, que no primeiro momento ficou perplexo, também quis partir pra cima, mas foi contido pelo funcionário da companhia.

Nessa hora começou o festival de baixarias:

Eu: “Velho filho da p***, vem aqui se você for homem”
Ele: “Moleque de merd*, enfio-lhe a faca no abdômen e tiro o couro do teu umbigo”
Eu: “Me soltem que eu vou quebrar esse senil viado”
Ele: “Me soltem que eu tenho que lutar pela minha honra”

Nota do autor: Os velhos estão sempre lutando pela honra. E usando chapéus Panamá.

Mas a turma do deixa disso aplacou a fúria de ambos. E o pior foi ouvir o funcionário responsável pela linha pedindo para que eu esquecesse tudo aquilo, já que o motorista estava “ficando meio caduco mesmo”.

Essa é boa, o cara está caducando e eles ainda deixam centenas de vida nas suas mãos trêmulas e dementes todos os dias, em razão de uma provável economia de custos.

O final desse texto é assim mesmo. Bruto. Como a vida de quem pega ônibus em São Paulo.

Abraços.

Rafael

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Notas da dona do Blog: Rafael tem 24 anos e é solteiro. Mande suas cartinhas. Quem sabe um dia ele não te chama para comer uma coxinha no sujinho e ainda te paga a condução? ;)
Valeu Rafa. Adoro seus contos baseados em fatos reais.

Thursday, October 04, 2007

Arte não existe


Eu e meu amigo começamos a fazer um curso sobre história da arte. A primeira aula foi um bombardeio de informações, o que me deixou um pouco assustada. Não pelo professor, porque o cara realmente é bom, mas senti aquela incômoda sensação de: não sei nada. Por outro lado, fiz bem em fazer a inscrição no curso ;). A matéria história da arte, na minha ex faculdade, foi péssima. A professora era uma louca. Sinto que perdi muito com isso. Deixei de fazer questionamentos nos quais seriam fontes de amadurecimento para mim. Mas como nunca é tarde para perguntas: o que é arte?

Arte e obra de arte possuem sentidos distintos. O primeiro refere-se ao sentido classificativo e o segundo valorativo. É como falar: "Isso é arte" e "Isso SIM é uma obra de arte", ou seja, dizer que algo é uma obra de arte é como legitimá-la como algo bom, de alto valor. Confuso? É, também achei. Se alguém tiver uma explicação melhor, ajude-me.

Voltando à aula...O professor começou a falar sobre arte rupestre, arte dos egípcios, etc, etc. Eis que ele deu um tom de "evolução" para as pinturas. Nesse hora, meus pensamentos começaram a me atormentar: realmente podemos falar que uma arte é melhor que a outra, ou mais evoluída? De repente achei aquilo tão presunçoso. Não sei até que ponto a crítica é válida. Legitimar uma obra-de-arte não seria um pouco audacioso? Cada artista realiza sua arte em um contexto. E não digo somente contexto histórico, mas sim em um momento pessoal pelo qual o autor passa. Afinal, arte, para mim, tem uma ligação direta com expressão de sentimentos. Ou será essa definição muito romântica? Não acredito que maior riqueza de detalhes, traços mais precisos, técnicas mais apuradas de pintura sejam fatores determinantes para afirmar ser melhor ou pior.

Tudo é avaliado. Acho engraçado, por exemplo, quando dizem: esses textos do seu blog são bons, esses não. Aceito bem e também sou totalmente aberta a críticas. Tenho muito o que aprender. Mas o interessente disso tudo, e até nunca escrevi sobre isso, é o fato de que eu não escrevo para uma avaliação. Eu simplesmente escrevo. Se criticam ou elogiam, é uma consequência, mas não que essas reações sejam meus objetivos. Meu objetivo é escrever e só. Porém, quando você divulga algo, é inevitável. A avaliação acontece. Traçando um paralelo com arte, será que os artistas esperam esse tipo de avaliação? Tocar as pessoas, fazer-se presente, claro, são objetivos deles, mas será que eles realmente estão preocupados com a avaliação do bom ou ruim?

Procurei algumas definições para arte e achei as seguintes:
-Uma obra é arte se, e só se, é produzida pelo homem e imita algo.
-Uma obra é arte se, e só se, exprime sentimentos e emoções do artista.
-Uma obra é arte se, e só se, provoca nas pessoas emoções estéticas.
A primeira definição é tão sem sentido para mim. Fazer arte para imitar algo? Tá e aí? E "só e se" é limitar muito. Bom, talvez não haja resposta. É como questionar o que é a vida, o azul do céu, Deus.
Ok. Isso já está parecendo conversa de bêbado.

"Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente artistas." (Ernst Gombrich, historiador de arte)

Monday, October 01, 2007

Ema ema ema

Dei uma reformulada no blog. Está mais coloridinho. Pelo menos o nome está. Acho que a primavera me inspirou. Bem, nem sei o porquê estou te explicando isso. Afinal, o blog é meu e eu faço o que eu quiser com ele, certo? Sim, correto. Isso me faz pensar na vontade incontrolável de se explicar. Já reparou? As pessoas têm mania de ficar falando a causa de tudo. E ás vezes nem rola interesse. Você está interessado em saber sobre essa mudança no meu blog? Claro que não. Você tem muito mais o que fazer. Bom, mas acho que sofro do mal da explicação. Saco! Preciso de libertação!

Existem diversas situações nas quais a explicação parece coçar nossa língua. Por que a gente sempre acha necessário explicar tudo?

Situação: Cabelos com cor nova.
Explicação: " Quis mudar um pouco. E essa tinta acajú borgonha uva nº 334544 é lançamento! Bom, foi por isso que mudei."
Ps: Ninguém está interessado. Se você quer parecer uma uva, problema é seu.

Situação: Chegar 15 minutos atrasado no trabalho.
Explicação: "Gente, peguei um trânsito horrível. Depois quase atropelei uma velhinha. Mas também, a véia não estava atravessando na faixa. Aí quando cheguei aqui, um pedreiro safado resolveu me seguir e comecei a gritar na rua."
Ps: Todo dia a pessoa chega atrasada. Todo dia uma explicação. Tenha piedade. Bata no peito e assuma o atraso.

Situação: Corte de cabelo ridículo
Explicação: "Então...eu to com o cabelo assim porque o cabeleireiro faltou e tive que cortar com o outro. Como eu não tinha muito $, acabei cortando com um profissional iniciante. Porque lá no Soho, você sabe né? Você pode escolher o nível do profissional e o preço varia. Por isso que ficou ridículo. O cara era péssimo."
Ps: Deve estar ridículo mesmo. Mas quem se importa?

Situação: Término de namoro
Explicação: "Eu sei que essa festa podia trazer acompanhante, mas eu to sem. Terminei o namoro. Ele me traiu com a minha melhor amiga. Foi horrível. To arrasada."
Ps: Nenhum "conferidor de convite" está afim de saber os motivos da sua falta de companhia. Isso não é vergonha para ninguém.

Situação: Sapato novo
Explicação pós-elogio: "É lindo né! Olha, eu só comprei porque estava numa liquidação imperdível. Acredita que paguei R$ 30,00? E eu to tão sem $, não deu pra resistir."
Ps: A pior coisa é essa explicação de pobre. Se recebeu o elogio, simplesmente agradeça. Não há pecado nenhum nisso. Que mania de ficar explicando que só comprou porque estava barato!

Situação: porta de banheiro que não tranca direito
Explicação: "Putz. Essa porta não fecha direito. Só que não podia trancar a outra, porque vai que alguém quer lavar a mão. Olha, tentei consertar. Mas não deu certo. Inclusive, se você quiser, posso ficar vigiando a porta enquanto você faz xixi."
Ps: Não tente ser simpático se alguém tentou arrombar a cabine que você estava. Explicações não são sinônimos de simpatia.

Chega dessa neurose conspiratória. Nem todo mundo quer investigar vidas alheias. Só explique se te perguntarem. Caso contrário, cada um com seus probrema. E tenho dito!