Tuesday, December 25, 2007

Bonecas biologicamente desenvolvidas


"Crianças aproveitam o dia para curtir os brinquedos novos
Na orla de Copacabana, pais levam os filhos para aproveitar os presentes de Natal.
Motos à bateria, patinete e skate foram exibidos com orgulho."

Bons tempos aqueles nos quais meu brinquedo favorito era um elástico. Juntava 3 meninas para pular elástico. Minha irmã era ótima na brincadeira. Eu, como sempre um pouco lesada, com grande esforço conseguia passar todas as fases. Assisti hoje uma reportagem igual a essa que saiu no site Globo.com. As crianças aproveitaram o feriado para "testarem" os brinquedos. Na reportagem da TV, em SP, uma outra menininha ganhou essa mesma motinho. Aliás, deve ser o hit do momento para a faixa dos 5 anos. Para tanto, a garotinha não tinha nenhum controle sobre o pseudo meio de locomoção. O repórter dizia: "vai mostra pra gente", e ela tentava acelerar, e a moto em pequenos socos tentava sair do seu ponto de origem. Bizarro.

Numa outra reportagem, a notícia era sobre uma exposição de brinquedos antigos. Se eu não me engano, está acontecendo na Daslu. Mais uma vez uma criança foi interrogada:
- Está gostando da exposição?
- É muito bonita.
- Você gostaria de ter aquela boneca?
(A boneca era horrível. Enfim, aquela coisa toda inocente da época. Se bem que dava medo)
- Não.
Ok. Aqui fica claro que os brinquedos antigos JAMAIS agradariam as crianças moderninhas. Provavelmente a garotinha pensou: "É claro que eu não gosto dessa. Eu prefiro muito mais a minha boneca que faz xixi, cocô, arrota 3x após as refeições e ainda diz que me ama.". O Diretor de Marketing, responsável pela exposição, disse que nos dias de hoje as crianças são muito solitárias, por isso os brinquedos tendem a ser interativos. Achei esse depoimento o tanto quanto triste. A nova geração já sofre de carência. O pior, os pequenos seres tentam suprir toda essa falta de amor com bonecos que andam, falam, enfim, quase seres-humanos.

Nunca gostei muito de boneca. Esses dias vi na TV uma que era idêntica a um bebê de verdade. MEDO!!!! Aliás, sempre tive medo desse brinquedo. Lembro que uma vez, quando era criança, assisti no programa da Sílvia Poppovic (antigo isso) uma mulher falando que já tinha visto suas bonecas falarem e andarem. Aquilo ficou instalado na minha cabeça. Depois disso, toda vez antes de dormir, olhava rapidamente para os meus bichinhos de pelúcia e para as minhas barbies. Certificava-me que todos eles estavam bem caladinhos. Aí sim, fechava os olhos.

Uns meses atrás, estava numa lan house (eu fazia um trabalho voluntário e dava aulas de informática - ainda preciso escrever um texto sobre o quão incrível foi isso!)e dei uma espiada no garotinho da cabine ao lado (não era aluno). Fiquei aterrorizada com o "joguinho inocente" que rolava no computador do mocinho. Ele fazia de tudo para matar todas as pessoas virtuais. Tinha até sangue correndo pelas calçadas. Horrível! Pensei: Absurdo! Depois que vira um marginal..Sim, acabei ressuscitando um daqueles típicos comentários de tio véio.

E cá termino este post refletindo...Estamos formando pequenos seres artificiais que só sabem se comunicar com bonecos ou matar pessoas pelo computador? Conclusão: As crianças do século XXI são carentes e consequentemente tendem a desenvolver graus de psicose.

Monday, December 24, 2007

Abaixo o Santa Claus


Existe época mais brega que fim de ano? As pessoas conseguem colocar para fora seus sentimentos mais cafonas. Aquele famoso "Feliz Natal" é recheado com um " que seus sonhos se realizem", ou "que a luz ilumine o seu ser". Eu até entendo que é extremamente difícil ser criativo nessa época do ano, mas por favor, essa coisa toda clichê, esses e-mails natalinos, essas decorações bizarras, amigo secreto (odeio!), cara é cafonérrrrrrrimo.

É aquele misticismo todo pro fim de ano? O povo sai correndo pra comprar cueca amarela, lingerie vermelha, cristais, flores pra Iemanjá, lentilha, semente de não sei o quê para guardar na carteira. Ô tempo perdido! Parece que o mundo vai acabar. As pessoas se matam para comprar, comprar e comprar! Eu não tenho a mínima paciência.Quando eu era criança, tinha aquela magia toda do Natal. Se bem que nunca fui de acreditar em Papai Noel. Sempre achei aquela figura extremamente sinistra. Eu até tinha medo do "bom" velhinho. E na boa, minha mãe sempre deixou muito claro que era ela mesma quem comprava os presentes. Mas sei lá, eu ficava feliz e ansiosa. Tinha aquele significado todo do nascimento de Jesus. Mas aí eu cresci. E comecei a perceber o quanto essas datas passam a ser obrigações. Você é obrigado a comprar presentes, a se reunir,a fazer a porcaria do amigo secreto que você odeia, cumprimentar até quem você não suporta. Toda vez que eu vejo alguma reportagem sobre a 25 de Março me dá ânsia de vômito. No fim, tudo vira uma grandíssima falsidade.
Devia ser uma época tranquila, sossegada. Não sinto nada disso. Além do que tudo vira uma tristeza. Você lembra de quem se foi, dos "erros" do passado, aí bate aquele ar de "poderia ter feito diferente". Para mim é festa porque Jesus nasceu. Mas só será festa mesmo em outro mundo. Nesse aqui, só tem gente louca correndo atrás de uma pseudo felicidade.

Quanto ao ano novo. É mais animado. Só odeio o trânsito ;)

Promessa para o ano que vem: ser mais otimista nas palavras!
Será que eu consigo? hehe

Sunday, December 16, 2007

Doe 1 cachorro

Mais um final de semana que passo em casa. Sabe quando você não tem saco para sair de casa? Quando tudo te cansa? Não, eu não estou depressiva. Todo dia eu pego 1h de trânsito. Odeio ar condicionado, mas acabo ligando. Se não ligo, abro o vidro do carro e sou invadida por diversos estímulos, o que me deixa mais tensa. Pior é a poluição. As mulheres urbanas têm mais chances de desenvolverem um câncer de mama. O ar da cidade possui poluentes que deixam o tecido mamário mais rígido, e isso pode causar a doença. Agora, toda vez que eu abro o vidro do carro, fico com essa neurose. Nem sei o porquê escrevi isso, mas como um assunto puxa o outro sem nexo algum...Tudo isso para discorrer sobre a minha fase mais ou menos. Sabe quando as coisas não estão lá aquelas coisas, mas também não estão completamente ruins? Eu fico um pouco perdida quando sou questionada sobre trabalho, namoro e...bem, acho que normalmente essas são as perguntas básicas feitas para alguém com 23 anos.

- Como está o trabalho?
- Ah...(assim mesmo com reticências) tá bom.
- Tá namorando?
- Ah...não, mas tudo bem. Uma hora aparece.

Respostas idiotas e sem conteúdo. Simplesmente respostas. Como eu queria dar respostas mais completas! Mais cheias de energia. E não tão prontas. Um pouco mais espontâneas. Só que não consigo. Para eu afirmar que algo realmente está legal, o algo tem que ser surpreendente. Aliás, eu tenho uma péssima mania: eu comparo coisas. Amigos novos só são realmente demais, se eles superarem os meus amigos foda. O trabalho só será demais, se ele superar meus pensamentos ultra esperançosos e sonhadores. E um possível prospect só será demais, se ele superar meus antigos "rolos". Ok, isso não é tão difícil de acontecer. Talvez eu não tenha um parâmetro, o suficientemente bom, para comparar namorados. Ás vezes me acho uma pessoa amarga. Daquelas que criticam todo mundo. Por outro lado, minhas críticas são todas fundamentadas. Bem, nessa hora eu me acho metidinha demais, afinal, quem sou eu para criticar as pessoas? Isso é péssimo. Péssimo mesmo. E no meio de pessoas que não reclamam das mesmas coisas que você, você se sente mais FDP ainda. Afinal, parece loucura. É sempre bom ter alguém para confirmar o que você disse. Tipo, se você reclama do seu chefe, é sempre bom ter alguém que reclame também. Assim, você tem certeza de estar lúcido. E quando não tem? E quando as pessoas vivem naquele mundinho e não acham que existam lá grandes críticas? Aff, chato isso também viu. Na Bíblia está escrito: "E não vos conformeis com esse mundo." Odeio quem se conforma. Mas eu sei que ás vezes exagero. Pareço uma véia com seus 85 anos reclamando do café aguado.

Poxa, por que eu não posso devolver respostas completas e felizes às perguntas ingênuas, de pessoas preocupadas comigo? Uma coisa é certa, existem pessoas admiráveis e situações excelentes proporcionadas por essas pessoas admiráveis. Isso eu não critico. Gente admirável é gente admirável e ponto final. Agora quem não é, paciência. Tem gente que não tem graça. Você dá risada, congela o sorriso e faz cara de simpática. Aí eu me sinto falsa. Mas quem não é um pouco? Ninguém é 100% verdadeiro. Isso me incômoda. Não sei como agir. Se fizer tal coisa, puxo o tapete. Se não fizer, vou ser mais uma no mundo. Ás vezes as pessoas são tão chatas. Tem horas que cachorros são mais legais.

Gostaria de produzir coisas melhores. Preciso de inspiração. Preciso de pessoas que me inspirem. Preciso de lugares interessantes. Mas para tudo demora 1h de trânsito. Eu continuo aqui em casa. Não quero me limitar. Preciso conhecer gente que acredite nisso. Preciso, preciso, preciso. Cara, por que eu simplesmente não sento no sofá e assisto a qualquer porcaria na TV e pronto?

Vai ver eu não preciso de nada. Só de um cachorro.

Saturday, December 15, 2007

um (a)braço

A espera é a ânsia pelo desencontrado
pelo achado perdido
na rua
olho
procuro
e não vejo nada
só vejo quem anda sem direção
ou só os que andam com direções pré marcadas
sonho imagino
realizo-me em pensamentos de felicidade
acordo e percebo que eles só estão na minha mente
volto para a rua e não encontro o que procuro
vai ver não está ali
vai ver só existe na minha cabeça
cheia de pensamentos estranhos e contraditórios
porém felizes enérgicos
não quero o mais um
cansei do inseguro
da falta de escrúpulo
quero apenas um braço para me encostar.

Sunday, December 09, 2007

Prêmio APP


Estou muito feliz. Meu grupo de TCC ganhou como vice-campeão do "28º concurso universitário de campanhas", realizado pela Associação de Profissionais de Propaganda. Esse concurso seleciona as melhores campanhas publicitárias feitas por alunos de universidades. De 28 trabalhos, o nosso foi escolhido para concorrer com mais 3. Conseguimos o 2º lugar e a menção de melhor planejamento. O 1º lugar foi para a UNIP de Bauru. Mais do que merecido. O trabalho deles ficou excelente.
Obrigada jurados!

huhuhu meu 1º prêmio. Pedro, André, Catota e Cléber apesar das noites mal-dormidas, madrugadas no msn discutindo conceito de campanha, esfihas do habbib´s, dinheiro gasto com trocentas impressões, finais de semana perdidos e muito hershey´s cereal na veia, amei essa fase. Porém, espero que ela nunca mais volte. hehehehe. O bom é saber que estamos prontos para outras fases. E quem sabe, outros prêmios!

Obrigada amigos. Cada vez mais aprendo com vocês que o segredo do sucesso é muito simples. É só fazer dessa vida uma grande diversão ;)

Divirtam-se!

Sunday, December 02, 2007

RH. Recursos humilhantes


"El Método". Excelente filme que fala sobre o método Grönholm, uma espécie de seleção de RH. Terminei de assisti-lo e pensei: Caramba! Preciso escrever sobre isso. Serei bem crítica neste texto. Afinal, odeio processos seletivos de empresas. Já passei por vários.

Para quem não assistiu, o filme passa dentro de uma sala de reunião. 7 candidatos concorrendo a uma vaga. Ou melhor, 6 candidatos. Já que um deles é o infiltrado. A primeira prova é descobrir quem é o informante. E o longa vai se desenrolando dessa forma. Muitas provas, e em cada uma delas, uma pessoa é eliminada. Clima de pressão e desconfiança. Isso tudo me lembrou das diversas vezes que tive passar por situações parecidas, onde a minha integridade havia sido colocada a prova. O pior, lembrei das vezes que fui desonesta com os meus colegas ou até mesmo me omiti, para não levar a pior. Seus valores, sua ética são fortes o suficiente para aguentar tanta pressão? Até onde você vai para conseguir o que quer?

Desumano. É isso o que acho sobre essas formas de seleção. Até uns tempos atrás, sempre fui de confiar em psicólogo de RH. Sempre acreditei que eles eram os tipos de pessoas "certinhas", compreensivas, enfim...humanas. Não é bem assim. Uma vez, a empresa na qual trabalhava, contratou uma galera para fatiar os funcionários. Sim, fatiar. Cortar em pedacinhos e analisar cada um deles. Descrevendo cada qualidade e defeito, que eles achavam. Como se você pudesse demonstrar todas suas qualidades em dinâmicas de grupo. Como se não saber responder o siginificado da figura desconexa apresentada num quadro, fosse algum sinônimo de distúrbio mental, falta de criatividade, incapacidade de trabalhar em grupo, ou qualquer outra coisa. Essas atividades foram estendidas para fora da empresa. Todos os funcionários haviam sido convidados, ou melhor obrigados, a viajarem para um hotel. Lá, passaríamos por outras provinhas. Viajamos. Eis que, um dos dias foi extremamente tenso. O motivo da tensão foi a minha revolta com algumas atitudes de colegas corporativos. O assunto surgiu por uma moça. Ela falava sobre a falta de respeito dos colegas de trabalho. Eu complementei. Não sei da onde tirei coragem, mas falei pra metade da empresa que as pessoas abusavam e não respeitavam os outros. Em todo o momento, as psicólogas nos olhavam. Elas não impediram nada. Deixaram o fogo queimar. Aliás, devia ser isso mesmo o que elas queriam. Foi horrível. Bom, depois de vários meses nesse mapeamento de competências (lembrei o nome), vieram os resultados. Fomos até uma salinha. Eu, meu chefe (na época) e uma psicóloga. Depois dos elogios, vieram os defeitos. Qual foi a minha surpresa? Era quase impossível me defender. Toda vez que tentava falar os motivos pelo qual agia de tal forma na empresa, a psicóloga me rebatia com argumentos que SÓ sustentavam a organização. Não se enganem. Psicólogos de RH são advogados das corporações. Tire aquela imagem de psicólogo de consultório. É outra coisa, outra especialização. Isso não existe.Senti-me injustiçada. E o que você faz nessa hora? A vontade é sair imediatamente dali e mostrar pra todo mundo que aquilo tudo é baboseira, das piores. Se eu fizesse isso, perderia o emprego.

Por que tantas vezes precisamos nos humilhar para aceitar certos tipos de coisas? Uma outra vez, estava eu mais duas pessoas concorrendo a uma vaga. Após entrevistas e esperas, veio a resposta. A psicóloga, na frente de nós três, informou que eu havia sido escolhida. Os outros candidatos foram embora com cara de desconsolo. Óbvio. Achei humilhante e desumano. Senti-me num Big Brother. Que falta de ética avisar isso na frente das outras pessoas. Em nenhum momento foi pensado que aquilo poderia ser humilhante? Não sabia se ficava alegre ou triste. Afinal, foi uma situação estranha. Fora as circunstâncias que nos colocam. "Amanhâ você começa. Quero o exame médico amanhã, mais isso, isso e isso." Estou ficando mais esperta. Peraí e o meu lado? É preciso se impor para que não pisem em você.

Voltando ao filme. Terminei de assisti-lo com frio na barriga. Pensando como é difícil ser íntegro no trabalho. Não queria falar o final do filme. Assistam e vejam que os últimos que ficaram, considerados os “melhores”, no ponto de vista humano, eram os piores. Ou seja, que critério é esse de escolha? O melhor profissional para certo tipo de empresa, nem sempre é um ser-humano de ótima qualidade. Mas sim, é uma pessoa preparada para enfrentar as disputas dessa empresa. E isso inclui o fato de consequir passar por cima de seus próprios valores, para defender a empresa. Se você consegue isso, parabéns, você tem grandes chances de ser um finalista. Em meio a tanta pressão, a linha entre a honestidade e falta dela fica cada vez mais tênue. Aí eu te pergunto: qual a porcentagem de integridade você consegue manter dentro de uma empresa?

E pergunto aos psicólogos de RH: até que ponto vocês acham que esses processos seletivos são realmente eficazes?