Friday, December 26, 2008

para ser inteiro - um

Não sou dessas que divide amor.
Completo e intenso não vive por pedaços.
Para ser inteiramente dedicado, tem que ser um.
Não me contento com metades.

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive"
Fernando Pessoa

Levou tudo

Um furacão, um terremoto, um vulcão. Levou tudo. Cá estou, completamente nua. Sem forças para me recompor. Alguém avisou e ninguém escutou, ninguém acreditaria na possibilidade tão pouco calculada. Levou minhas fotos, meu porta-retrato. Tudo o que tinha. O pior dos desastres naturais. Na água se desfez minha letra escrita com a mais pura angústia. Cheira queimado. Cheira água na terra. Cheira medo.
Sem forças nem para carregar meus próprios braços. Sobrou um corpo cansado de tanto se debater. Perdeu aquilo que começava a acreditar que era amor. E, no meio da lama, a recordação. Com as pernas cruzadas e o vento que arrepia a nudez, vem a lembrança da delícia do beijo. O carinho sincero. A conversa entre choros e crises de riso. Aprendi tanto em tão pouco tempo. Quando dizia que não daria certo, na verdade, queria dizer exatamente o contrário. E acreditava profundamente nisso. Sobra-me a tristeza.
Veio audaz, barulhento, intenso como meu sentimento, enérgico, robusto, valente. Destruiu tudo. A ferida não dói, o choque arde lá dentro. Um ardor tácito. Nem o gemido escuta. Meus quadros preferidos. Minhas cores. Meu gosto. Meu som. Sem voz, sem tato, sem jeito.
Fico ainda aqui, sentada na lama, não sei por mais quanto tempo.
Despida de tudo o que me foi lindo.
Maresia (Se Eu Fosse Um Marinheiro)
Marisa Monte
Composição: Marina Lima - Antonio Cícero

O meu amor me deixou
Levou minha identidade
Não sei mais bem onde estou
Nem onde a realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
Era eu quem tinha partido
Mas meu coração ligeiro
Não se teria partido

Ou se partisse colava
Com cola de maresia
Eu amava e desamava
Sem peso e com poesia

Ah, se eu fosse marinheiro
Seria doce meu lar
Não só o Rio de Janeiro
A imensidão e o mar

Leste oeste norte e sul
Onde um homem se situa
Quando o sol sobre o azul
Ou quando no mar a lua

Não buscaria conforto nem juntaria dinheiro
Um amor em cada porto
Ah, se eu fosse marinheiro.

Desde quando sentimento é elegante?

Sentimentos não são elegantes.
Gritar "eu te amo", na rua, é uma tremenda falta de finesse.
Brigar por amor não é nada chique.

Sentimentos são reais.
O chique é pensado.
O elegante é planejado.
O amor pulsa.
A vida não é um livro de etiqueta.

A sinceridade aparece sem o menor pudor. Vibra, corre, grita. É totalmente deselegante.

Minha preocupação nunca foi estar na moda. Mas amar intensamente.

Tuesday, December 16, 2008

contrata-se Bi

"Informamos a abertura da vaga "v154724 - Secretária Bi (Para Zona Sul - Brooklin)" (São Paulo/SP/BR), compatível com um perfil que você solicitou monitorar ou com o seu objetivo profissional."

Bissexual? e ainda compatível com o meu perfil?
oh my gosh.

Friday, December 12, 2008

Que tipos de intelectuais são esses, que não fazem nada para mudar o mundo?
Fazer uma faculdade, ter um trabalho bacana, ser inteligente, sociável.
Do que adianta tudo isso se não muda nada que está ao nosso redor?
Tudo que fazemos só serve para alimentar o nosso ego.
Nada do que a gente faz serve pra melhorar o mundo