Thursday, July 22, 2010

gosto de texto esparramado, desvinculado. livre dos direitos autorais e da nova correção tortográfica. simples, ritmado. andando de pijamas em casa. solto pelo escuro dos pensamentos, pintando as ideias dentro do breu. um texo tímido no começo. no fim: linhas extrovertidas, saidinhas, safadinhas. o que dá na telha da alma e no teto de vidro do ser vivo por trás das letras.

Wednesday, June 30, 2010

O ser humano inventou a maior sacanagem com ele mesmo: a obrigação. Fazer o que gosta obrigado, vira desgosto. Precisamos ganhar dinheiro, inventamos a moeda. Trocamos por alimento e abrigo. E por todos aqueles vestidinhos na promoção. Viver como índio era mais legal? Inventamos o aluguel da oca e a liquidação da mandioca. Banho no rio só com aquecimento a gás.
Sistema sem lógica. Viver por obrigação.

o vermelho que corre na veia

Tenho sangue italiano correndo dentro das veias que se dilatam quando a pressão aumenta. Mas também tenho sangue de romêno, polonês, índio- quem sabe? Não tenho sangue corintiano, são paulino ou o sangue do namorado fluminense. Tenho O negativo. Sangue universal. Já doei sangue e doo algumas vezes para coisas que acredito. Deveria doar mais: para quem precisa e para meus sonhos.
O sangue se renova e me faz ter vida ou não, quando eu o intoxico com sorvete sabor gordura trans. Ele vai, leva, traz, sobe até meu cérebro.
Eu tenho sangue correndo nas veias.
Tem gente que parece que não tem.

Friday, May 28, 2010

Diante

Estranhamente escolhemos o que nos odeia.
A robustez dos momentos não traz força, traz cansaço.
É a força do momento, e não a minha força.
Desencaixados, seguimos.
Pálidos diante da explosão.
Neutros diante de tanta opinião.

Monday, May 24, 2010

Meu Dog e as ex 3 bolas

Lembro como se fosse hoje. O abajour na minha cabeça indicava que algo ia mal. Doía meu saco escrotal e meu cisto, em cima do meu pinto. Eram minhas 3 bolas. Sim, eram. Eles arrancaram sem dó. Esvaziaram como uma bexiga lotada de ar. Eu adorava aquela hérnia, eu passava horas lambendo aquele volume de gordura.

Não sei o que é esse negócio todo de sentir algo por uma cadela. Minha barriga não fica gelada, não sinto cócegas e não escuto nenhuma trilha sonora bonitinha no ar. Eu fui castrado como um cão. Ok, eu sei que sou um cão. Mas e a democracia? Gostaria de decidir se quero ou não as minhas bolas. Quem são esses insensíveis que optam por essa prática desumana?

Meu libido se foi.

Eu tenho dislexia. Mas quem não tem?

Todo mundo é um pouco disléxico. Trocamos informações, dados e perdemos a atenção. As letras aparecem do lado de lá do muro, enquanto respondemos perguntas que nunca foram feitas. A desorganização faz parte da vontade pela ordem. A ansiedade alimenta a inquietação. De repente, o movimento vira tédio. Lemos ao contrário e entendemos o oposto. A comunicação está cada vez mais perfurada. Foi bombardeada pelos nossos pedaços de entendimento.

crape deim

É o fast, para comer logo e voltar à cela

Existe aí uma instabilidade no ar dos trabalhadores. Dos presos, em regime semi-aberto, em suas geladeiras que ressecam a pele. Em seus goles de café, em suas dores lombares, em seus rins, em suas pernas que não circulam exatamente a mesma quantidade de sangue do dia que eram livres. A janela não abre. A porta não abre. Lá fora tem um sol que não se sente. Mas existe o recreio, a hora de comer as gororobas dos restaurantes que pesam a comida. No presídio não há a moleza da comida, é preciso ir até a rua e caçar um fast food transgênico e cancerígeno. É o fast, pra comer logo e voltar à cela.

Em qual lado você está?

“Você é um homem da ciência. Eu sou um homem de fé.”

Locke disse essa frase para o Jack, em Lost, para mostrar que os dois nunca iriam concordar mesmo. Porém, apesar das diferenças, eles seguiram juntos. Pelo menos naquela temporada.

As pessoas são limitadas, possuem visão desfocada e agem segundo crenças trazidas por gerações. As pessoas são egoístas, são afobadas, desesperadas. Elas não respiram, elas engolem o ar, assim como a comida.

Esse mundo da urgência é uma tremenda burrice. O mundo do agora é o do “re-trabalho”. Na ansiedade, a informação vira frescura, coisa boba.

Ops.

Mas a mensagem é a coisa mais importante numa comunicação. Logo, ela não deveria ser tratada dessa maneira.

Citei a frase do Locke, porque ela me faz pensar na quantidade de vezes que gastamos tempo tentando explicar nosso lado.

Mas peraí, vale a pena?

A postura que eu acredito ser a certa é uma. Você acha que é outra.

Eu sou um homem de fé. Ponto-final.

Prazer, sou uma publicitária

Hoje eu estou com raiva. Eu sei que raiva não resolve meus problemas e nem me coloca num nível superior. O budismo diz que é preciso aceitar a situação, para ter consciência e controle. É aquela coisa de contar até 10 antes de acertar uma caneta BIC na garganta do infeliz. Hoje eu precisei contar até 1000.

Sinto-me uma inútil. Escrevo coisas bestas, para indústrias que eu desejo a morte. Escrevo, por escrever. Ainda estou desencaixada, e talvez nunca me encaixe. Quem sabe em outro plano, ou em outra vida.

Meu negócio é valorizar a imagem.

Imagem distorcida, mentirosa, manipuladora. É a imagem da anoréxica que, de acordo com seus olhos, tem 100 kilos no espelho.

Vendo a morte, o câncer, o fake. Vendo o que a gente quer ver. É o disfarce do mal. É o Diabo que se apresenta de anjo. Vendo o fumo, o agrotóxico, o lixo, os corpos mortos. Vendo a decadência humana. O verme com óculos, nariz e bigode postiço.

Da-lhe festa fantasia. Eu, aqui, fantasiada. E hoje eu estou com raiva de ter sido convidada.

Monday, March 16, 2009

Claustrofobia

Impotência me aflige. Tão sufocante. A bolha nunca estoura e o ar diminui cada vez mais. Se fosse apenas uma parte da minha vida, mas não é. A claustrofobia está em tudo. Vou até onde eu posso. A minha missão é essa. Ir até o limite. Mas o problema é esse. Existe o limite.
Consigo melhorar. Atraio energia positiva. Depois, sem resolver, a negativa. Angústia.
Gas carbônico. Barulho. Rejeição. Má educação. Oligarquia.
Extremamente sufocante. Sigo, até aonde posso ir.
Até aonde posso ir?
Esse sentimento de impotência toma o meu ser aos poucos. Cada vez mais perco o que consegui. Ocorre o efeito inverso.
De tanto ir, pára.

Monday, March 02, 2009

Dog, é tudo culpa do sistema!


Lá estava o meliante, cor preta e branca, quatro patas. Saquinho mucho, devido a operação na qual retirou seus órgãos responsáveis por perpetuar a espécie. Estatura baixa. Tosa nº 10. Rabo e cabeça com maior presença de pelugem. Autuado em flagrante. Delito: não fazia uso de coleira. Andava livremente no parque Villa Lobos. Um risco iminente. Quantos dedinhos de crianças foram salvos! O meliante foi interceptado por uma autoridade, na qual lhe advertiu sobre o desrespeito a Lei Federal. Lei desconhecida pela espécie canina e pelos humanos que acompanhavam suas pegadas. Optou por não ser um rebelde, apesar de sua alma contestadora. Então, obedeceu. Deixou ser carregado pelo duas patas que o seguia.

O meliante não foi preso, mas luta até hoje contra a Lei Federal.

Wednesday, February 18, 2009

Um dog querendo repor hormônios

Ontem foi um dia atípico para o meu cachorro. Consequentemente, para mim também. Estava eu no ponto de ônibus, com os ouvidos atentos para qualquer diálogo urbano. Entre conversas sobre piercings de língua que foram engolidos e atropelamentos, eis que escuto o toque irritante da Hello Kitty versão masculina: Hello Moto. Era o meu celular. Atendi. Eu e minha geração passada demos início a seguinte conversa:
- Oi mãe.
- Ai esse cachorro!
- O que aconteceu?!
(nesse momento um filme me veio a cabeça. Lembrei de todos os problemas que o Dog Obama já teve. Diagnóstico de Cinomose, pneumonia, dermatite...Você pode conferir tudo isso no meu post "A história do meu cachorro contada por ele mesmo")
- O Dog subiu na minha cama e comeu 6 comprimidos de Synthroid.
- Não acredito. É para tireóide né?
- É.
- Você viu os efeitos colaterais?
- Ainda não. A veterinária disse pra dar água oxigenada.
- Ah???
(como assim? a mesma que tinge cabelos! oh my gosh)
- É para induzir o vômito.
- Bom, quando eu chegar aí, levo o Dog no veterinário.

Cheguei em casa depois de um trânsito de 1h20. Ainda bem que tamanha agilidade não fez meu dog morrer. Cheguei, abri a porta e esperei a festa. Nada de festa. Ele parecia eu, quando tomo caipirinha. Mas nada de muito chocante. Peguei o peladinho (apelido carinhoso para seu pêlo máquina 10 - tratamento de Dermatite), minha mãe e fomos até a Vet.

Entramos no consultório. Contamos o causo e ela recomendou um hospital e não uma clínica. Mas depois de ter conferido a agilidade do Dog ao aspirar um algodão no chão, percebeu que ele não estava tão drogado assim. Colocou soro e deu carvão ativado (bizarro). Entre os medicamentos, comentou sobre um caso de 2 labradores que haviam ingerido remédios para emagrecer. Se tivessem optado pela dieta da Lua, nada disso teria acontecido. Os coitados chegaram virando a cabeça. Mas sobreviveram. O que me deu um certo alívio. Para tanto, Syntroid é reposição hormonal, e isso me deixa preocupada. Não quero que o meu cachorro sofra algum tipo de alteração no metabolismo. Ele já é completamente freak.

Bom, por enquanto, o quadro é estável. Não babou, vomitou e nem virou a cabeça como os labradores. Espero não chegar em casa e pegar ele com uma seringa na pata ou alguma caixinha de lexotan jogada perto de seu super tapetinho higiênico.