Tuesday, February 20, 2007

Carn...aval.

Obrigada Deus. O carnaval acabou! Sim, não sou adepta a festa popular fogosa que acontece todo mês de fevereiro. Sexta de carnaval, sábado de carnaval, domingo de carnaval, segunda de carnaval, terça de carnaval e quarta de cinzas, pra enterrar o carnaval. É lógico que ficar alguns dias em casa não é nada mau, o fato é que tudo enjôa.
Dá vontade de vomitar só de acompanhar por horas e horas um desfile de escola de samba.O pior são os comentaristas "olha lá...agora vão entrar as baianas", "olha lá...a rainha da bateria". Eu estou vendo que vão entrar as baianas, a rainha, será que você poderia me acrescentar algo de útil? Por que não fala da quantidade de dinheiro que essa gente toda está jogando fora? E me diz...é verdade mesmo que serão plantadas sei lá eu quantas árvores para neutralizar todo o CO2 do carnaval? Hein hein? Comentários úteis! Nunca consigo terminar de assistir um desfile pela televisão. É fisicamente, psicologicamente e intelectualmente desgastante. Mais sofrimento que isso, é o Big Brother. Dá náuseas.
Não vou criticar tudo. Gosto do ritmo. Acho as letras interessantes (quando eu tenho paciência de escutar até o final). Mas cansa! A questão é: o que o carnaval celebra?! Nunca entendi o por quê de um feriado, tão comprido, com o íncrivel objetivo de celebrar nada! 04 dias para celebrar o nada! E aquelas roupas? Como as mulherese conseguem usar calcinhas tão pequenas e enfiadas? Hipóglos deve faturar nessa época do ano. Faturamento sazonal. Pomadas para varizes também, mas esse o lucro é obtido pós carnaval. O que aquelas botas e sandálias de plataforma devem fazer mal a circulação sanguínea... E tem também os filhos do carnaval, que irão gastar com fraldas pampers lá pro mês de Novembro, Dezembro. Isso tudo daria um interessante estudo mercadológico "carnavalesco".
Passei o feriado na cama. Não foi nenhuma forma de revolta a la "Ghandi". Minha garganta está podre, com pus, eca, nojenta! A terça-feira de carnaval terminou com uma ida ao hospital. Nada de grave, apenas um remédio filho da mãe que custou R$ 50,00 e uma dor horrível, que me faz pensar em fazer greve de fome (Ghandi não sai da minha cabeça). Mas esses dias de molho proporcionaram uma crença maior no Discovery Channel e no desenho Backyardigans. Aprendi tudo sobre a operação Foxley contra Hitler, no Discovery, e que eu me pareço muito com a Uniqua do Backyardigans. Ah...e que uma cobra sucuri pode matar um pato com uma força equivalente a de um ônibus, fazendo pressão sobre o peito de um ser humano. Fantástico! Isso que eu chamo de informações relevantes. Está vendo como seu carnaval pode ser útil?
Te desejo uma ótima quarta-feira de cinzas, com expedientes começando após ás 13hs.
Mas a dúvida continua...O que raios celebra o carnaval?

Friday, February 09, 2007

poesia simples

gosto de gente simples.
de coração
de alma
de boa ação.

simplicidade é modestia
não é patética
é de Deus
do mundo
do surdo
do mudo
é naturalidade
facilidade de relação
é estar a vontade
com vontade
de estar
em qualquer lugar
com gente lunar .

simplicidade é contrário
de mediocridade
de fetidez
metidez
emulação
involução

é saber
que o que se tem
é o melhor do que
do aquém,
mesmo sendo
simples o que se tem.
é saber
dizer amém
e ir além.

o não simples
cansa
nem sempre alcança
grita
briga
e desperdiça
palavras sem razão
sem emoção
sem copaixão
é frágil

ser feliz
é
ser simples.

Tuesday, February 06, 2007

Balbino

Alice, em grego, quer dizer verdade. Ou verdade quer dizer Alice. Depende do ponto de vista do obervador. E mentira é relativo. Vai da vista de cada um. Como o significado do nome Alice.

Balbino, "àquele que gagueja", é filho de Alice. Guagueja sempre que mente. Quando criança, era sonâmbulo. Um dia chegou em casa com uma cabra. Banguela e cotoca. Dizia que era uma cachorra com chifres. No outro dia, trouxe um guarda-chuva. E assim Balbino, na sua infância, vivia trazendo coisas pra casa. Saia dormindo, voltava rindo e continuava, no dia posterior, sem saber o que havia feito. Ninguém sabia se mentia ou se realmente não lembrava da cabra, do guarda-chuva...

Na adolescência, era conhecido como "picadinha", picava todas as palavras porque gaguejava. Mentia pra mãe, pro pai, pra irmã, pros amigos, pros inimigos, pra namorada, pro Zé da padoca e até pra cabra banguela cotoca. Sua mãe, preocupada, levou-o ao psicólogo. Mentiu pro psicólogo. Até sua linguagem corporal mentia. Mentiroso completo. O Doutor deu o diagnóstico: mitomania.

Não admitia ser um mitômano. Acreditava em suas próprias mentiras, inclusive, achava que Alice era sua prima de 3º grau, e não sua mãe. Vivia dizendo: "Alice, eu já disse que não sou mitômano!". Alice é depressiva por causa do filho. Que infelicidade ter o nome de "verdade", sendo que o próprio filho é uma mentira.

Além de mitômano, a vizinhança desconfiava de que ele era cleptomaníaco. A cabra banguela cotoca pertencia a uma vizinha, assim como o guarda-chuva. O cortador de batatas Polishop e a bermuda que reduz a celulite Polishop, eram da vizinha da frente. Era estranha essa preocupação que Balbino tinha com sua celulite. Todos começaram a chamá-lo de nomes constrangedores, como: "Bambi", "gago gay", "viadinho picadinha" e por aí vai.

Hoje Balbino tem 30 anos. Já roubou chaves, cremes de barbear, cachorros, barras de cereais sabor morango, cremes para a celulite, sabonetes e até palitos Gina. Mentiu sobre sua família, seu emprego, seu nome. O caso é grave, mas continua vivendo nessa sociedade. Sociedade dos Lula´s, Bush´s, Saddam´s, Maluf´s, Kassab´s, Dirceu´s...

Pensando bem...Balbino, o "gago gay", não é tão anormal assim.