Tuesday, November 20, 2007

Analfabetismo online


Uma coisa é erro de digitação. Outra coisa é erro de português. É um soco no olho ler um negócio desse. Nossas janelinhas de msn não podem ser invadidas por grosserias. Mais dignidade no msn! O pré-requisito para utilizar um sistema de mensagens(em tempo real) é ser alfabetizado. Vou sugerir, ao msn, um teste de português no momento do cadastro. Seria uma ótima. Adeus intereçante, corassão, probrema, emviar...

Dica:http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
(ou vocês acham que eu não me certifico antes? ;))


*este blog respeita sua imagem. O nome do internauta interativo no messenger foi censurado.

Thursday, November 01, 2007

Geração Coca-cola sem gás

Acabei de voltar de uma peça de comédia. Inspiração perfeita para um post sobre crítica a roteiros de comédia. Se você gostou do tema, peço que volte daqui alguns dias. Na verdade, resolvi mudar o rumo dessa prosa porque estou com um formigueiro atrás da orelha. Cheguei em casa, sentei na frente do computador e já abrindo o blog, resolvi mudar tudo. Lembrei de um diálogo entre eu e meu amigo, hoje mesmo (antes de começar o teatro). Falamos sobre felicidade, depressão, ilusão, drogas e etc. O papo valeu mais do que a peça. O Fabio também tem 23 anos, como eu.

Bom, a conversa começou com relatos sobre casos frustrados de relacionamentos amorosos. Depois, seguiu um rumo mais reflexivo sobre felicidade. Passando por utopia. Empurrar a vida com a barriga. Ter a mesma vibe que outras pessoas. O Fabio me fez uma pergunta na qual não consegui responder. Fiquei chateada. A pergunta foi: " Você conhece alguém que realmente está feliz nesse momento?". Lembrei de várias pessoas. Nenhuma delas eu pude citar o nome. E nessas recordações, eu pude notar a quantidade de amigos meus que têm, ou tiveram, depressão e síndrome do pânico. Pessoas jovens na faixa dos seus 20 e poucos anos. O Fabio também me contou diversos casos de amigos psicologicamente doentes. Ficamos assustados. Na verdade, a gente não acredita em felicidade plena. É ilusão acreditar nisso. Vamos ser realistas. A vida é difícil sim, correr atrás cansa, ter que levantar dói, perder e recuperar é sacrificante e enfrentar o medo dá medo. Dá vontade sim de querer fugir. Arranjar um atalho. Dar uma de malandro. É difícil se assumir. Só que como falei, nos assustamos com a quantidade de amigos que chegam a ficar doentes por conta de tudo isso.

No meio da conversa, falamos sobre drogas. Ele falou sobre alguns conhecidos que usam ecstasy. A droga da felicidade, do amor ou qualquer outra coisa "bonitinha". Refletimos sobre o quão estranho é você ser feliz plenamente por algumas horas e não se recordar dessa mesma felicidade depois que seu efeito acaba. Vamos tentar olhar de fora. Mesmo se você usa. Tente imaginar 5 jovens, sei lá, pode ser em uma rave. 5 jovens absurdamente felizes. Depois, olhe para os mesmos jovens após umas 8 horas (o efeito dura de 4 á 8hs). O que você vê?

Esses dias estava perto da PUC e acabei dando uma passada lá (minha ex-faculdade). Era de manhã, na hora do intervalo. Tinha muita gente. De repente aquilo tudo me pareceu tão sem sentido. Não pela universidade, mas pelos universitários. Não necessariamente por aqueles estudantes da manhã. Mas um filme passou pela minha cabeça, desde a época que estudava lá, até os dias de hoje. Refleti. Na hora lembrei de Tropa de Elite - as cenas dos universitários revestidos por uma "consciência social". Durante alguns minutos, fiquei com vergonha de ser uma jovem de 23 anos vivendo no ano de 2007. Sem querer generalizar a estupidez da juventude.

Voltando ao papo com o Fabio...Conversamos sobre estar em sintonia com amigos. Pense em quantos amigos seus são do tipo: "esse eu posso contar". Quantos deles estão na mesma vibe que você? É estranho pensar como as relações humanos têm ficado cada vez mais desumanas. Não só no sentido cruel, mas no sentido vazio da coisa. Falta de tempo, de dinheiro, de auto-estima, de energia, tudo isso afasta. E você só nota isso quando compra UM ingresso para ir ao cinema sozinho. Hora de disfarçar a solidão. É fácil. Vai lá, lote seu álbum do orkut com fotinhos de baladas e gente bonita. Deixe todo mundo pensar que você é descolado e feliz. Eles não devem achar que você é doente e desesperado. Não. Deixe essas informações apenas para o seu psiquiatra. Ora bolas. Chega de pateticismo! Hey! Assuma quem você é.

Sim, estou criticando a minha geração. Tem hora que tudo enche o saco. Essa superficialidade jovial. A ilusão jovial. A felicidade jovial disfarçada. A falta do "eu sou". Do "eu me assumo".

Fico com dó. Ao mesmo tempo com raiva desse contexto todo. Tenho 23 anos. Não que não seja uma medrosa. Uma covarde. Tem horas que dá vontade de fugir. Ás vezes quero jogar tudo para o alto. O desânimo é inevitável. Mas estou aprendendo que o fácil não amadurece. O difícil apara arestas. Amigos, nunca seremos felizes na sua forma mais plena. Então, não tente achá-la. Não se auto-destrua tentando encontrá-la. Ainda bem que ela não existe. Caso contrário, jamais cresceríamos. Vai vivendo. Do seu melhor jeito. Ser jovem é foda. Mas vamos combinar, a gente complica bastante.

Well.Continuarei torcendo por novos tempos...Uma nova geração mais viva e cheia de gás.