Friday, May 28, 2010

Diante

Estranhamente escolhemos o que nos odeia.
A robustez dos momentos não traz força, traz cansaço.
É a força do momento, e não a minha força.
Desencaixados, seguimos.
Pálidos diante da explosão.
Neutros diante de tanta opinião.

Monday, May 24, 2010

Meu Dog e as ex 3 bolas

Lembro como se fosse hoje. O abajour na minha cabeça indicava que algo ia mal. Doía meu saco escrotal e meu cisto, em cima do meu pinto. Eram minhas 3 bolas. Sim, eram. Eles arrancaram sem dó. Esvaziaram como uma bexiga lotada de ar. Eu adorava aquela hérnia, eu passava horas lambendo aquele volume de gordura.

Não sei o que é esse negócio todo de sentir algo por uma cadela. Minha barriga não fica gelada, não sinto cócegas e não escuto nenhuma trilha sonora bonitinha no ar. Eu fui castrado como um cão. Ok, eu sei que sou um cão. Mas e a democracia? Gostaria de decidir se quero ou não as minhas bolas. Quem são esses insensíveis que optam por essa prática desumana?

Meu libido se foi.

Eu tenho dislexia. Mas quem não tem?

Todo mundo é um pouco disléxico. Trocamos informações, dados e perdemos a atenção. As letras aparecem do lado de lá do muro, enquanto respondemos perguntas que nunca foram feitas. A desorganização faz parte da vontade pela ordem. A ansiedade alimenta a inquietação. De repente, o movimento vira tédio. Lemos ao contrário e entendemos o oposto. A comunicação está cada vez mais perfurada. Foi bombardeada pelos nossos pedaços de entendimento.

crape deim

É o fast, para comer logo e voltar à cela

Existe aí uma instabilidade no ar dos trabalhadores. Dos presos, em regime semi-aberto, em suas geladeiras que ressecam a pele. Em seus goles de café, em suas dores lombares, em seus rins, em suas pernas que não circulam exatamente a mesma quantidade de sangue do dia que eram livres. A janela não abre. A porta não abre. Lá fora tem um sol que não se sente. Mas existe o recreio, a hora de comer as gororobas dos restaurantes que pesam a comida. No presídio não há a moleza da comida, é preciso ir até a rua e caçar um fast food transgênico e cancerígeno. É o fast, pra comer logo e voltar à cela.

Em qual lado você está?

“Você é um homem da ciência. Eu sou um homem de fé.”

Locke disse essa frase para o Jack, em Lost, para mostrar que os dois nunca iriam concordar mesmo. Porém, apesar das diferenças, eles seguiram juntos. Pelo menos naquela temporada.

As pessoas são limitadas, possuem visão desfocada e agem segundo crenças trazidas por gerações. As pessoas são egoístas, são afobadas, desesperadas. Elas não respiram, elas engolem o ar, assim como a comida.

Esse mundo da urgência é uma tremenda burrice. O mundo do agora é o do “re-trabalho”. Na ansiedade, a informação vira frescura, coisa boba.

Ops.

Mas a mensagem é a coisa mais importante numa comunicação. Logo, ela não deveria ser tratada dessa maneira.

Citei a frase do Locke, porque ela me faz pensar na quantidade de vezes que gastamos tempo tentando explicar nosso lado.

Mas peraí, vale a pena?

A postura que eu acredito ser a certa é uma. Você acha que é outra.

Eu sou um homem de fé. Ponto-final.

Prazer, sou uma publicitária

Hoje eu estou com raiva. Eu sei que raiva não resolve meus problemas e nem me coloca num nível superior. O budismo diz que é preciso aceitar a situação, para ter consciência e controle. É aquela coisa de contar até 10 antes de acertar uma caneta BIC na garganta do infeliz. Hoje eu precisei contar até 1000.

Sinto-me uma inútil. Escrevo coisas bestas, para indústrias que eu desejo a morte. Escrevo, por escrever. Ainda estou desencaixada, e talvez nunca me encaixe. Quem sabe em outro plano, ou em outra vida.

Meu negócio é valorizar a imagem.

Imagem distorcida, mentirosa, manipuladora. É a imagem da anoréxica que, de acordo com seus olhos, tem 100 kilos no espelho.

Vendo a morte, o câncer, o fake. Vendo o que a gente quer ver. É o disfarce do mal. É o Diabo que se apresenta de anjo. Vendo o fumo, o agrotóxico, o lixo, os corpos mortos. Vendo a decadência humana. O verme com óculos, nariz e bigode postiço.

Da-lhe festa fantasia. Eu, aqui, fantasiada. E hoje eu estou com raiva de ter sido convidada.